Coleção: Bioluminescence ✨

Bioluminescence é o nome da coleção cápsula inspirada na bioluminescência dos mares, um fenómeno que pode ocorrer em praias com espécies de fitoplâncton (um grupo de organismos aquáticos microscópicos com capacidade de fazer fotossíntese). Ao entrarem em contacto com a rebentação das ondas, dá-se o fenómeno da bioluminescência, em que a energia química se transforma em energia luminosa. A água do mar acaba por brilhar (Quinta, 2023).

Este fenómeno natural é conhecido há milhares de anos e sempre despertou interesse. Segundo João Lara Mesquita, alguns historiadores acreditam que a antiga poesia chinesa fez o primeiro registo desta luz, mas foram os gregos e os romanos que fizeram observações explícitas e sistemáticas sobre o fenómeno. A primeira referência grega à fosforescência marinha data de 500 a.C. Aristóteles (384-332 a.C.) registou a bioluminescência em detalhe e, durante o seu estudo, descobriu que estes organismos eram capazes de se iluminar sozinhos. Alguns séculos depois, Plínio, o Velho (23-79 d.C.) escreveu a Naturalis Historia, um registo do conhecimento humano da época, onde descreveu organismos bioluminescentes, incluindo pirilampos e medusas (Mesquita, 2021).

Segundo a National Geographic Portugal, é provável que este fenómeno natural possa ser avistado ao longo de toda a costa portuguesa, já que surge com a agitação das águas, provocada tanto pela passagem de barcos como pela agitação da maré ou dos banhistas (Quinta, 2023).

Em 2024, o fenómeno da bioluminescência foi avistado a 28 de julho nas ondas da praia de Vila Chã, em Vila do Conde, no distrito do Porto. Graças às temperaturas elevadas e à presença de azoto na água, surgiu uma surpreendente cor azul fluorescente com a agitação da água (Oliveira, 2024).

Inspirada neste fenómeno natural, nasceu a coleção Bioluminescence, ou Lumini, que retrata momentos de esperança e de sucesso na procura deste fenómeno, já que não há qualquer aviso antes de acontecer. Ilustra a sorte de o encontrar e de o avistar. É o reflexo do momento pessoal vivido pela designer na sua procura de crescimento interior, profissional e atual, evitando a estagnação no tempo e no espaço.

É uma coleção sem género, baseada em peças clássicas oversized de modelagem plana, em contraste com outras peças produzidas com modelagem tridimensional, criando um paralelismo entre a água do mar e a água do mar a florescer após o contacto com o fitoplâncton. Foi criado um padrão único, aplicado a algumas peças da coleção, com uma paleta de cores em que se destacam o lilás, o azul, o verde, o amarelo, o rosa e o prateado. Foram usados materiais eco-friendly como o piñatex (fibras produzidas a partir do ananás), algodão orgânico, botões de madrepérola (material produzido a partir de conchas) e matérias-primas recicladas, sublinhando a importância de hábitos mais sustentáveis nos dias de hoje.

Uma coleção de peças coloridas, com um padrão de várias cores e formas, estampado de forma sustentável com tintas ecológicas e certificadas sobre popelina de algodão orgânico. Com este tecido estampado foram feitas camisas de manga comprida, camisas de manga curta, tops, calções e calças.

Ilustrações da coleção Bioluminescence